Quarta-feira, 27 de Janeiro de 2010

cruzamentos

E havia tanto para dizer,

Foram tantas experiencias vividas que delimitar o inicio de uma conversa tornava-se uma tarefa conflituosa.

Depois de tudo, o silêncio aparecia como encosto cómodo daqueles que consentem e sentem profundamente o peso de toda uma existência. Uma infinidade de inícios e tentativas de manter-se juntos mesmo sem saber ao certo o rumo diário dos impulsos e desejos intrínsecos de suas individualidades, fazia com que cada dia fosse uma novidade e uma espécie de conquista sem troféus.

Deixar ir, ou deixar andar, era um lema seguido a risco porque só assim garantiria as suas liberdades, que a tão pouco tempo foram postas em causa.

O desejo libertador de respirar ar fresco soava como coisa nova que não se podia deixar passar, mas havia uma marca profunda tingida a vermelho, que de certa forma causava mal-estar, porque não fora coisa pouca, e mesmo que a capa vestida para os outros transparecesse leveza e superficialidade, no íntimo sabiam que nada mais seria como antes.

Duas existências cruzadas, vivenciadas, marcadas… que num suspiro de vida cravaram em si uma existência perdida… o que restava era algo maior lá dentro, ambíguo porque mesmo sem conseguir estar longe não se sabia o que fazer com o outro.

Ninguém colocava em causa o sentimento que os unia, mas mesmo sem entender o por que, o desejo individualista de liberdade colocava em risco a existência de liberdades compartilhadas… como se estas não pudessem confluir naturalmente.

O tempo amigo e inimigo de suas convicções começara agora a marcar pontualmente o rumo das suas existências… o futuro incógnito cobrirá algo que pode passar sem nunca estar resolvido… no ar permanece o desejo e a angústia que os aproxima e os separa num impulso de vida que não quer ser perdida… Oxalá que consigam resolver-se antes que o tempo resolva-os por si.


Coimbra, 23 Janeiro de 2010.

0 comentários: